Queria aqui falar sobre uma situação de uma pessoa do meio ciclo família/amigos!
Essa pessoa que vou tratar por “Maria”, é uma pessoa com formação académica, muito inteligente, trabalhadora, dinâmica.
Foi convidada para um cargo de responsabilidade, e sentindo que dava conta, aceitou.
Já tinha na altura duas filhas uma de cinco e outra de três anos. Os dois primeiros anos correram bem, apesar de por vezes a chamarem, quando era de noite e até nas férias. Sim, estava no algarve e teve de deixar o marido com as filhas para vir a Lisboa resolver uma situação.
Tinha aquela situação de flexibilidade de horário, o que nem sempre é bom, porque podem te chamar a qualquer hora!
Com o passar do tempo, e sendo gerente de uma empresa que laborava 24 horas por dia, expeto a semana de natal/ano novo que fechava, cada vez mais era chamada á empresa. Começou praticamente a não ter vida própria.
Talvez por isso o casamento ruiu, e sozinha, com duas crianças a tarefa era cada vez mais difícil. Claro que ganhava muito bem, mas estava a perder outras coisas.
Uma vez, que era suposto sair a tempo de ir buscar uma das filhas ao jardim, passou da hora, e disseram-lhe que o procedimento era chamara a policia ou a GNR. Foi um grande susto, mas lá conseguiu que alguém fosse buscar a miúda.
Ela dizia que sim, gosta do trabalho, gosta do ordenado, mas que deixou de ter vida. Não tem tempo para tudo e o dinheiro não era tudo. Tinha pena, porque quando estudou sonhava que teria um trabalho de segunda a sexta-feira das 9 às18h e não aquela correria. E mesmo quando conseguia estar com a família, estavam sempre a ligar-lhe do trabalho!
A dada altura, ficou com um esgotamento, meteu baixa, arranjou uma pessoa para ficar em casa com as meninas, tipo uma ama interna.
Decidiu com ajuda de psicólogos ou psiquiatras que aquele não era mais o caminho.
Saiu daquela empresa, sem grande recompensa. Andou á procura de uma trabalho mais tranquilo, mas com as habilitações, por serem elevadas, não conseguia nada.
Até que sem revelar os seus estudos consegui trabalho na secretaria de uma escola, onde agora sim, está feliz, nem parece a mesma. O dinheiro é que é muito menos, mas ela orienta-se!
Mas, concluo que é triste este mundo de trabalho, uma mulher (ou até um homem) para ter um cargo elevado numa empresa, não pode ter vida!? Tem que optar ou um trabalho ou uma vida, não temos o direito de ter as duas coisas!
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